Você sente frio. Dor. Medo. E tudo transborda para fora de você.
Não tem como impedir.
Parada atrás da vidraça, só se vê chuva, e uma neblina incapaz de acalmar o coração.
Vazia.
Você sente esse vazio corromper o seu peito, e quanto mais isso acontece, mais pedacinhos seus vão sumindo do espaço sem deixar rastros, sem olhar para trás.
Sem volta.
Você quer gritar e pedir ajuda, mas algo sufoca a sua alma. E o choro vem.
Vazia.
Tudo desmorona de uma só vez, e os monstros na sua cabeça não param de te rodear. Tudo te cansa, te fatiga, te consome.
E a dor não vai embora.
Você tenta submergir, mas seu peito está tão naufragado quanto um barco afundando.
Sem saída.
Você só quer calar as vozes na sua cabeça, mas todos os seus movimentos estão em câmera lenta.
Você está em câmera lenta.

Vazia.

Eu sonho com o seu carinho toda a noite. Com os seus beijos, seus abraços, sua voz...
É quase que uma tortura incessante acordar e perceber que nada disso aconteceu de verdade, e que você não está mais aqui comigo.
Eu tento me convencer de que estou bem, mas é como se meu coração se afundasse no meu peito toda a vez que sinto falta da minha aliança de compromisso.
Se eu soubesse que tudo iria acabar desse jeito, eu teria te beijado mais. Se eu soubesse que não iríamos mais nos ver, eu teria te abraçado mais forte, te faria rir mais vezes, me aconchegado no teu peito como se assim, eu pudesse evitar todo o sofrimento à espreita.
Eu queria ter me afundado nos seus braços, me perdido nos seus olhos, acariciado mais os seus cabelos.
Se eu soubesse que não te ter iria ser torturante, eu teria ficado com alguma coisa tua, só pra sentir o teu cheiro, e fingir que você ainda está comigo só pros sonhos que eu tenho ficarem mais reais.
Queria repousar no teu corpo, sorrir junto com o teu sorriso e secar as suas lágrimas. Queria o seu braço ao redor de mim, me protegendo de todas as pauladas que a vida dá. Eu queria os seus lábios sobre os meus, suas mãos no meu rosto, e seu coração batendo ao pé do meu ouvido.
Eu queria muitas coisas, mas a única coisa que eu tenho é um coração partido, cheio de amor e de sentimentos que não podem mais ser demonstrados da forma que deveriam.
Eu quis ser a tua força, eu quis que você ficasse. Eu quis que as coisas melhorassem, mas não melhoraram. E em meio à neblina que existe na frente do meu rosto, às vezes eu quase posso enxergar um dia de sol. Às vezes, eu quase posso ver esperança.
Porém, quando o tempo se fecha diante dos meus olhos, eu percebo que essa pequena faísca que acende o meu coração é apenas uma faísca, e ela não tem força suficiente para sustentar o sol que insiste em tentar aparecer. E é aí que as cortinas se fecham e a neblina inunda o meu coração, e eu acordo com uma sensação horrível de perda que teima em me perseguir, não importa o quanto eu tente fugir dela.


Hoje eu pude perceber o quanto as crianças podem ser sortudas, andando livremente com seus overboards dentro de casa, brincando, onde as suas únicas preocupações são que brincadeira vão escolher para se divertir.
Elas não precisam arranjar emprego , não precisam se preocupar com as contas a vencer e muito menos precisam chorar por um coração partido. Elas são inocentes, não pensam em namorar e nem se apaixonam por caras que vão terminar com você num dia lindo e ensolarado.
Tudo o que eu aprendi sobre o amor é que ele é complicado. As pessoas amam as outras, mas se cansam de lutar. Elas fingem que está tudo bem, quando na verdade, não está. Elas fazem promessas que não podem cumprir. E elas dizem que amam, mas se recusam a tentar outra vez.

A gente se doa, luta e faz de tudo para dar certo, o problema é que nem sempre isso é suficiente. O amor não cansa, mas quem ama cansa. E se o cansaço é grande o suficiente para fazer alguém desistir de um relacionamento, então talvez o amor não seja tão grande para poder amenizar todo o cansaço.

Quero vestir a minha alma de uma cor que não cabe no peito, mas não me encaixo no caleidoscópio que você me colocou. E enquanto eu tento fazer todas as cores caberem em mim, percebo os sinais que você roubou.
Eu vejo muitas luzes passando pela janela, mas nenhuma delas me atrai como a sua. Será que se eu não fosse tão apagada, tão resoluta, tão... estranha, você veria o que eu vejo?
As estrelas mantém a ordem num tom natural e brilhante enquanto eu tento encaixar a minha rima desenfreada no seu desassossego, só que eu percebi que eles não se encaixam como deveria.
Eu devo jogar fora?
Se eu passasse sempre por cada esquina, meus olhos captariam muitas coisas de uma vez, mas quando penso na direção em que quero olhar, eu só vejo um coração sangrando.
Eu devo jogar fora?
O único vestido que eu tenho está imundo de cores que eu nunca poderei usar. A única rima insípida que permanece na ponta da língua não consegue se manifestar. Se eu soubesse que tudo iria desmoronar, eu teria me vestido de preto e branco, porque são as únicas cores que cabem no meu peito.
Eu devo abrir mão?
Todos os sinais de trânsito, viadutos e avenidas não prepararam o meu coração para todo aquele desafeto. Eu tentei me desvencilhar, mas a minha alma não combina com a calmaria do seu olhar.
Eu devo jogar fora?
Eu devo abrir mão?
Vou vestir preto e branco amanhã. E vou desapegar de todas as cores do caleidoscópio.
E desaparecer.

Com o meu coração na mão.

Ah, que saudades daquela bela flor!
Um dia a sua dor te murchou
E eu te vi ir embora
Você me viu desabrochar, acompanhou o meu despertar
Pra vida

Você me amou, me acalentou
Do seu perfume você doou
Todo o amor em vida

Mas um dia você se foi
E me deixou com essa dor, que parece que não vai sarar.

Que saudades da sua doçura e beleza
E de toda a sua riqueza
De pensamentos e força de vontade

Ah que saudades daquela bela flor!
Que de mim muito cuidou
E do amor que me deu
Muito floresceu

Ah que saudades daquela bela flor!
Que ainda floresce
Que padece
No meu coração triste enegrece
E permanece
Pra sempre

E sempre permanecerá.